Coronavírus: as posturas conflitantes de Elon Musk e Mark Zuckerberg diante da pandemia

Coronavírus: as posturas conflitantes de Elon Musk e Mark Zuckerberg diante da pandemia

Elon Musk e Mark ZuckerbergDireito de imagem
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Elon Musk e Mark Zuckerberg têm opiniões opostas sobre as medidas tomadas para lidar com a pandemia de coronavírus.

Os gigantes da tecnologia no Vale do Silício estão entre os poucos vencedores da pandemia global. Os preços de suas ações se mantêm ou até aumentam, à medida que os investidores apostam que essas empresas sairão ainda mais fortes da crise.

No entanto, a covid-19 também mostra dois magnatas da tecnologia com atitudes radicalmente diferentes em relação à batalha para controlar o vírus: Elon Musk (Tesla) e Mark Zuckerberg (Facebook).

O que Musk disse?

Nas últimas semanas, o fundador da Tesla tem postado mensagens no Twitter de uma maneira cada vez mais temperamental.

Primeiro, ele expressou ceticismo sobre a ameaça do coronavírus. Depois, ele condenou medidas que viu como “excessivas” para combater o vírus.

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Musk usou várias vezes sua conta no Twitter para criticar medidas de isolamento para combater o vírus.

A quarentena na Califórnia significou o fechamento de sua principal fábrica, em Fremont, que Musk quer que seja reaberta.

“Bravo, Texas!”, escreveu no Twitter na quarta-feira, ao compartilhar notícia de que restaurantes e outras empresas do Texas poderiam ser reabertas na sexta-feira com algumas condições.

Depois fez uma declaração, em letras maiúsculas, pedindo a abertura imediata dos Estados Unidos.

Mas foi durante uma teleconferência com analistas, após a publicação de resultados de lucro surpreendente durante o primeiro trimestre, que sua raiva transbordou.

Em sua declaração de abertura, Musk não mencionou o vírus. Mas, em resposta a perguntas, ele criticou a ordem da Califórnia de que os moradores fiquem em casa.

“Dizer que eles não podem sair de casa e que serão presos se o fizerem é fascista. Isso não é democrático. Isso não é liberdade. Eles precisam devolver às pessoas sua maldita liberdade.”

Sua linguagem se tornou ainda mais agressiva em determinado ponto.

Ele disse que uma extensão do confinamento estava “aprisionando à força as pessoas em suas casas contra todos os seus direitos constitucionais”.

E acrescentou: “Desrespeitar as liberdades das pessoas dessa maneira horrível e errada… não é para isso que as pessoas vieram aos Estados Unidos ou construíram este país”.

Então, ele usou um palavrão forte e disse, antes de continuar: “Desculpem. Mas uma indignação é uma indignação”.

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Musk criticou a decisão da Califórnia de implementar o confinamento como uma medida para combater o coronavírus.

Também houve um pouco de indignação em resposta. Não de analistas que ficavam perguntando sobre margem bruta e lançamento de um aplicativo, mas de espectadores no Twitter.

Alguns lembraram que o fundador da Tesla estava longe de ser profético em sua análise da ameaça do vírus.

Em 19 de março, Musk comentou que não havia novos casos na China, acrescentando: “Com base nas tendências atuais, provavelmente haverá quase zero casos novos nos Estados Unidos até o final de abril”.

Em 30 de abril, havia mais de um milhão de casos de coronavírus nos Estados Unidos e cerca de 60 mil mortes.

O que Zuckerberg disse?

O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, também falou nos últimos dias sobre os resultados de sua empresa, que viu uma queda nos lucros, mas conseguiu agradar os investidores, apesar do aviso de que a empresa “enfrentava um período de incerteza sem precedentes “.

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Zuckerberg diz que a pressa de voltar à normalidade é uma péssima ideia para a saúde pública e a economia

Zuckerberg, em sua teleconferência com analistas, apresentou uma opinião oposta à do magnata da Tesla. A pressa de voltar à normalidade é uma péssima ideia para a saúde pública e a economia, disse ele.

“Embora existam restrições sociais maciças nas quarentenas, me preocupa que a reabertura de certos locais muito rapidamente, antes que as taxas de contágio caiam para níveis muito baixos, quase garantirá surtos futuros e piorará os resultados econômicos e de saúde a longo prazo.”

Considerando os modelos de negócio, pode-se dizer que é mais fácil para Zuckerberg adotar essa posição.

Seus funcionários podem fazer, em casa, um bom trabalho para manter o Facebook funcionando, enquanto a equipe da Tesla não fabrica carros em seus quintais.

A empresa de rede social pode estar preocupada com uma queda na publicidade, mas está muito melhor do que as antigas empresas de mídia para resistir à recessão.

O preço das ações, que registrou apenas uma queda modesta desde fevereiro, reflete isso.

Desafiando a gravidade

E as ações da Tesla continuam a desafiar a gravidade.

Com sua fábrica principal fechada ​​e um diretor executivo aparentemente incapaz de se autocontrolar, os investidores poderiam fugir.

Mas não. As ações já subiram perto de um recorde e é esperado que subam ainda mais após os últimos resultados.

A Tesla, que vendeu 367.500 carros em 2019, é avaliada pelo mercado em cerca de US$ 150 bilhões (ou R$ 833 bi). Isso é quase quatro vezes mais do que a gigante americana GM, que vendeu cerca de 7,7 milhões de carros no ano passado.

Tudo isso significa que Musk poderia estar prestes a desfrutar os frutos de seu trabalho.

Ele está no caminho de alcançar as metas estabelecidas para aumentar o valor da empresa, o que lhe daria ganhos de cerca de US$ 740 milhões (R$ 4,1 bi) em opções sobre ações.

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