Coronavírus: o impacto sem precedentes da doença sobre as companhias aéreas – e os preços das passagens

Coronavírus: o impacto sem precedentes da doença sobre as companhias aéreas – e os preços das passagens

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Em alguns aeroportos, o panorama é sombrio. A indústria da aviação projeta bilhões de perdas, enquanto o preço das passagens continua a cair devido à baixa demanda.

A economia global tem sido gravemente afetada pela disseminação do novo coronavírus e um dos setores mais atingidos é a indústria da aviação.

As companhias aéreas podem perder até US$ 113 bilhões (R$ 523 bilhões) em receita este ano devido ao impacto do vírus, segundo estimativa da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês).

“O impacto da covid-19 é quase sem precedentes”, disse Alexandre de Juniac, diretor-executivo da organização, na última quinta-feira.

“Em pouco mais de dois meses, as perspectivas da indústria em grande parte do mundo deram uma reviravolta dramática”.

O setor sofreu uma queda drástica no tráfego de passageiros devido ao medo que as pessoas têm de serem infectadas ao viajar.

A epidemia causou estragos em grande parte das empresas, que, por causa do surto, foram forçadas a reduzir voos e cancelar temporariamente algumas rotas.

A companhia aérea alemã Lufthansa anunciou sexta-feira que reduzirá sua capacidade em até 50% nas próximas semanas para enfrentar as consequências financeiras da crise.

A decisão foi tomada apenas um dia depois que a empresa cancelou 7,1 mil voos na Europa em março e todos os seus voos para Israel.

O impacto do vírus na aviação se refletiu nas bolsas de valores nas últimas semanas, com quedas generalizadas de cerca de 10% e alta volatilidade.

No Brasil, as ações das principais companhias aéreas registraram forte queda devido ao temor com o coronavírus e a alta do dólar. A Latam cancelou temporariamente os voos para Milão, na Itália, e permitiu a remarcação gratuita das passagens.

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Na América Latina, a presença do vírus foi confirmada oficialmente na Argentina, Brasil, Chile, Equador, Peru, México e República Dominicana

Passageiros presos

Aéreas de baixo custo como EasyJet ou Ryanair estão entre as mais afetadas, enquanto a britânica Flybe anunciou na quinta-feira sua falência e deixou passageiros presos em diferentes cidades, informando-os de que devem retornar por seus próprios meios.

A Flybe havia escapado do colapso graças a uma ajuda do governo, mas a epidemia do coronavírus acabou provando-se fatal.

“Todos os aviões estão em solo e as operações no Reino Unido cessaram com efeito imediato”, anunciou a empresa, pedindo aos clientes que não fossem aos aeroportos, já que não há voos alternativos.

“Apesar de todos os esforços, agora não temos alternativa”, disse Mark Anderson, diretor executivo da empresa.

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Latam cancelou voos do Brasil a Milão

Voos por US$ 4

Pouquíssimas pessoas estão voando para a China, enquanto as viagens ao interior do país também caíram. Os voos entre Xangai e Chongqing estão sendo vendidos por apenas US$ 4,10, segundo o South China Morning Post.

O cancelamento de voos é influenciado tanto pela baixa demanda de passageiros quanto pelas restrições impostas para evitar uma propagação ainda mais extensa da epidemia no país asiático.

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Estima-se que a queda no valor das passagens varie de 15% a 30%

Nos países europeus mais afetados pelo declínio de turistas, como Itália, Espanha e França, o quadro é sombrio em alguns aeroportos e resorts.

“A queda no preço das passagens aéreas em todo o mundo está entre 15% e 30%”, disse à BBC Mundo Francisco Coll Morales, economista e analista do Fórum Mundial de Turismo.

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Perdas para o setor de turismo como um todo podem chegar a US$ 70 bilhões

“Nunca vimos isso antes”, diz o especialista. “É o maior desastre da história do turismo”.

A situação é tão grave, acrescenta ele, que as perdas para o setor de turismo como um todo podem chegar a US$ 70 bilhões (R$ 324 bilhões).

Coll Morales explica que a indústria do turismo tem sido um dos setores que mais crescem em todo o mundo nas últimas décadas.

Em 1990, foram 458 milhões de turistas, enquanto hoje esse número já superou 1,4 bilhão.

A globalização, a melhoria da infraestrutura, os custos mais baixos e o desenvolvimento impulsionaram o crescimento dos negócios, diz o analista.

“O turismo é um pilar fundamental da economia”, diz ele. E os setores mais afetados pelo vírus foram companhias aéreas, hotéis e operadoras de turismo.

A indústria do turismo representa 10,4% do crescimento econômico global e gera cerca de 319 milhões de empregos, ou seja, 10% do emprego global, segundo dados do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, em sua sigla em inglês).

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Estima-se que a queda no valor das passagens varie de 15% a 30%

A expansão da epidemia

Apenas duas semanas atrás, a IATA havia estimado que o surto custaria às companhias aéreas US$ 29,3 bilhões (R$ 136 bilhões) em receita, mas o cálculo rapidamente se tornou desatualizado devido à propagação do vírus que atingiu mais de 100 países.

Mais de 110 mil pessoas foram infectadas e quase 4 mil morreram em todo o mundo.

Na América Latina, a presença do vírus foi confirmada oficialmente na Argentina, Brasil, Chile, Equador, Peru, México e República Dominicana.

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Aérea britânica Flybe foi à falência

Além da China, a situação da indústria é especialmente delicada em países com mais de 100 casos, como Itália, França, Alemanha, Espanha, Irã, EUA, Coréia do Sul, Japão e Cingapura.

Essa crise de saúde já causou uma perda estimada de US$ 50 bilhões na economia mundial, de acordo com a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

E o crescimento econômico pode cair pela metade se o problema se prolongar e piorar, de acordo com as projeções da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).


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