Em dia de pânico no mercado, Bolsonaro diz nos EUA que é leal ‘às políticas econômicas de Paulo Guedes’

Em dia de pânico no mercado, Bolsonaro diz nos EUA que é leal ‘às políticas econômicas de Paulo Guedes’

Bolsonaro e Trump jantaram no sábado (7/3)Direito de imagem
Tom Brenner/Reuters

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Bolsonaro e Trump jantaram no sábado (7/3): presidente americano disse que o país sempre ‘ajudaria o Brasil’

Na manhã desta segunda feira (09/03), enquanto o presidente Jair Bolsonaro se reunia com cerca de 350 empresários brasileiros em um hotel em Miami para reafirmar que “somos leais às políticas econômicas do sr. (ministro da Economia) Paulo Guedes”, a Bolsa de Valores de São Paulo adotava o mecanismo do ‘circuit breaker’ — interrupção automática das atividades de compra e venda de ações — após registrar queda de 10% no índice Ibovespa.

O mercado financeiro internacional vive um dia de pânico em meio à desaceleração das economias forçada pela epidemia de novo coronavírus e pela disputa entre Arábia Saudita e Rússia sobre o ritmo da produção de barris de petróleo. A bolsa de valores de Nova York também adotou circuit breaker após cair mais de 7%.

No Brasil, isso se refletiu em um aumento do dólar comercial para o patamar de R$ 4,80, queda de quase 25% nos valores das ações da Petrobras, e intervenção do Banco Central, com vendas de US$ 3 bilhões em reservas, embora o ministro da Economia tenha dito, em Brasília, que a equipe econômica está “absolutamente tranquila”.

“Somos leais às políticas econômicas do sr. Paulo Guedes, qualquer um dos nossos ministros estão habilitados para enfrentar quaisquer desafios”, disse Bolsonaro nos EUA.

Bolsonaro disse ainda que os princípios da economia brasileira são “a confiança acima de tudo, honrar compromissos, buscar retaguarda jurídica e garantias”.

Guerra com o Congresso

Bolsonaro, que há três dias, em Roraima, chegou a apoiar abertamente as manifestações do dia 15 de março, que têm como alvo o Congresso Nacional, baixou o tom em relação ao Legislativo.

“Vencemos o primeiro ano com muito sacrifício. Tivemos apoio do Parlamento na aprovação da reforma previdenciária, a mãe de todas as reformas, outras duas se apresentam pela frente. Conversei ontem rapidamente com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e ele falou que apesar de alguns atritos, que são muito normais na política, a Câmara fará sua parte buscando a melhor reforma, a administrativa e a tributária”, afirmou Bolsonaro.

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Após forte retração na semana passada, bolsas iniciaram a semana em queda por causa da queda brusca nos preços no petróleo

Em Miami, ao evento organizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), compareceram o senador republicano pela Flórida Rick Scott, o prefeito de Miami, Francis Suarez, o senador brasileiro Nelsinho Trad, o governador do Paraná, Ratinho Júnior, e os deputados federais Eduardo Bolsonaro e Daniel Freitas, famoso por ter quebrado, durante a campanha eleitoral de 2018, uma placa de homenagem com o nome da vereadora do PSOL Mariele Franco, assassinada no Rio de Janeiro.

Sem citar diretamente a Argentina, Bolsonaro disse ainda que “sabemos que não podemos dar trégua para a esquerda. Se não eles voltam, como voltaram em um importante país ao sul do nosso”. O presidente voltou a dizer que o Brasil está “no caminho certo”.

Imediatamente antes de falar, ele foi saudado pelo senador Scott, ex-governador da Flórida. “Eu estou convencido de que a eleição do presidente Bolsonaro vai ser uma mudança radical para os brasileiros, vai significar mais negócios e mais empregos.”

Sem medidas emergenciais

A instabilidade nos mercados levou Rodrigo Maia a postar uma mensagem no Twitter, ainda na noite deste domingo, em que conclamava o Executivo a trabalhar com o Congresso para proteger a economia brasileira da volatilidade nos preços dos combustíveis e nos valores das empresas de capital aberto em bolsa.

“O cenário internacional exige seriedade e diálogo das lideranças do país. A situação da economia mundial se deteriora rapidamente. O Brasil não vai escapar de sofrer as consequências dessa piora global. É preciso agir já com medidas emergenciais”, escreveu.

Questionado sobre se cogitava qualquer medida emergencial para o setor, como o aumento de tributo federal sobre os combustíveis, a Cide, o Ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque foi categório em descartar qualquer ação imediata do governo em relação ao assunto.

“No momento não há nenhuma medida emergencial que será adotada pelo Executivo. Como eu falei nós estamos monitorando, acompanhamento e no momento oportuno serão adotadas as medidas e os instrumentos que se fizerem necessários”, disse Albuquerque

Apenas hoje, em decorrência da desvalorização em 30% do barril de petróleo, as ações da Petrobras caíram mais de 22% e a empresa perdeu R$67 bilhões em valor de mercado. De acordo com Albuquerque, sua pasta trabalha em parceria com o Ministério da Economia na avaliação dos cenários de crise e repassa o resultado dos estudos ao presidente Bolsonaro.

“O presidente está acompanhando tudo. Hoje conversei cedo com o presidente, o presidente está muito tranquilo, ele já colocou claramente que não vai haver interferência de preço (dos combustíveis) e ele disse que quem conduz essa questão é a equipe econômica. É dessa forma que vai ser feito. Ele disse por exemplo que a Petrobras tem total liberdade, a Petrobras vai continuar conduzindo a sua política de preços como veio conduzindo até agora. Nada mudou, o momento é de tranquilidade”, afirmou Albuquerque.

Pouco depois da entrevista do ministro, o próprio presidente Bolsonaro, que tem evitado a imprensa na viagem, reafirmou as palavras do titular de Minas e Energia via Twitter: “- NÃO existe possibilidade do Governo aumentar a CIDE para manter os preços dos combustíveis. O barril do petróleo caiu, em média, 30% (US$ 35 o barril). A Petrobras continuará mantendo sua política de preços sem interferências. A tendência é que os preços caiam nas refinarias.”

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