PIB do Brasil vai cair cinco vezes mais que média dos emergentes em 2020, prevê FMI

PIB do Brasil vai cair cinco vezes mais que média dos emergentes em 2020, prevê FMI

Mulher segura uma moeda de um realDireito de imagem
Getty Images

A economia brasileira terá uma queda cinco vezes maior que a média dos países emergentes neste ano, de acordo com a previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgada nesta terça-feira (14).

Diante da pandemia de coronavírus, o FMI diz que o Grande Confinamento (The Great Lockdown) vai diminuir drasticamente o crescimento global, com previsão de retração de 3%.

O FMI aponta que é muito provável que a economia global registre em 2020 a pior recessão desde a Grande Depressão, superando a crise financeira global na década passada.

A previsão da entidade é que o PIB brasileiro vai cair 5,3% neste ano, enquanto os países com economias em desenvolvimento vão registrar, em média, uma queda de 1%.

A retração prevista pelo FMI significa uma diminuição de quase R$ 400 bilhões na economia brasileira neste ano. Se a retração de 5,3% for confirmada, será a maior queda anual que o Brasil já viu pelo menos desde 1901.

O grupo das economias emergentes inclui a China e a Índia, que devem apresentar crescimento neste ano, mesmo com a crise do coronavírus, segundo o FMI: 1,2% e 1,9%, respectivamente.

Na mesma categoria, dos países emergentes, também está o México – que, no entanto, vai apresentar uma retração ainda maior que a do Brasil, de 6,6%. A economia da Rússia, segundo o FMI, deve cair em proporção semelhante à do Brasil: 5,5%.

O FMI diz que, apesar de ter se baseado em conversas com epidemiologistas e outros especialistas em saúde pública que trabalham com a covid-19, ainda há incerteza considerável em torno da própria pandemia, de suas consequências macroeconômicas e as tensões relacionadas a elas nos mercados financeiro e de commodities.

Recuperação em 2021

A recuperação do PIB do Brasil em 2021 também ficará aquém da média das economias emergentes.

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Amanda Perobelli/Reuters

A previsão de crescimento para a economia brasileira em 2021 é de 2,9%, segundo o FMI. No mesmo período, a média de crescimento dos emergentes será de 6,6%.

Enquanto o México deve ter um crescimento de 3% em 2021, em patamar próximo ao do Brasil, a Rússia deve crescer 3,5%; a China, 9,2%; e a Índia, 7,4%.

O ritmo da economia brasileira, no entanto, já vinha abaixo de outros emergentes. No ano passado, enquanto a economia brasileira subiu apenas 1,1%, os emergentes cresceram, em média, 3,7%.

Medidas essenciais

O FMI aponta que medidas que ajudem a combater o vírus por meio do isolamento são essenciais.

“Quarentena, paralisações e distanciamento social são fundamentais para diminuir a transmissão, dando tempo ao sistema de saúde para lidar com o aumento da demanda por seus serviços e ganhando tempo para os pesquisadores tentarem desenvolver tratamentos e vacina. Essas medidas podem ajudar a evitar uma queda ainda mais grave e prolongada na atividade e preparar o cenário para a recuperação econômica.”

Defende, ainda, que o aumento dos gastos com saúde é essencial para garantir que os sistemas de saúde tenham capacidade e recursos adequados para reagir a essa pandemia. Sugere também medidas específicas para profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate à pandemia: diz que devem ser considerados, por exemplo, subsídios de educação para suas famílias.

O FMI aponta que, diferente de economias avançadas, os países emergentes e com economias em desenvolvimento – confrontados com crises simultâneas de saúde, econômica e financeira – precisarão da ajuda de credores bilaterais da economia avançada e de instituições financeiras internacionais.

“A cooperação multilateral será fundamental. Além de compartilhar equipamentos e conhecimentos para reforçar os sistemas de saúde em todo o mundo, um esforço global deve garantir que, ao desenvolver tratamentos e vacinas para a covid-19, tanto os países ricos quanto os pobres tenham acesso imediato”, diz o relatório.

“A comunidade internacional também precisará intensificar a assistência financeira a muitos mercados emergentes e economias em desenvolvimento. Para aqueles que enfrentam grandes pagamentos de dívidas, é necessário considerar a moratória e a reestruturação da dívida.”

E as economias avançadas?

No grupo dos países com economias avançadas, a projeção de retração econômica neste ano é maior que nos emergentes, com uma queda de 6,1%. Em 2021, a recuperação projetada para este grupo é de um avanço de 4,5%.

Os Estados Unidos, por exemplo, devem registrar, segundo o FMI, uma retração de 5,9% neste ano e um avanço de 4,7% em 2021. Já o Reino Unido deve assistir uma queda de 6,5% em 2020 e um crescimento de 4% no ano que vem. Na Zona do Euro, a previsão de queda para este ano é de 7,5% e a projeção de avanço em 2021 também é de 4,7%.

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