Eleições no Reino Unido: Como aposta arriscada de Boris Johnson saiu vitoriosa

Eleições no Reino Unido: Como aposta arriscada de Boris Johnson saiu vitoriosa

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Boris Johnson conseguiu a vitória mais expressiva dos conservadores em 30 anos

O mesmo primeiro-ministro. Mas um novo mapa.

Uma vitória muito além do que os conservadores — assombrados pelo fantasma das eleições de 2017, quando perderam maioria no Parlamento — sonhavam. À medida que as horas passavam, o vermelho da oposição se transformava no azul do partido do governo, e rostos conhecidos da política britânica foram perdendo seus assentos.

Boris Johnson apostou que seria capaz de ganhar a eleição com o apoio de cidades e comunidades onde votar no Partido Conservador era quase um pecado.

E venceu.

Com a apuração dos votos em todos os 650 distritos, os conservadores obtiveram 365 cadeiras no Parlamento, o que lhes dá maioria absoluta. Com apenas 203 cadeiras, o Partido Trabalhista amargou expressiva derrota nas urnas, perdendo para os conservadores importantes e tradicionais redutos eleitorais.

A maioria conservadora terá um efeito quase imediato no país — a menos que algo de novo aconteça, o Reino Unido vai deixar a União Europeia no mês que vem, já que Johnson vai contar com o apoio de novos parlamentares conservadores que vão aprovar sua proposta para o Brexit. A posição dele agora é forte o suficiente para subjugar qualquer oposição.

Pode haver infinitas discussões sobre a natureza deste relacionamento no longo prazo, mas não seremos mais parte do bloco econômico que integramos há quatro décadas. O Brexit, pelo menos a primeira parte — para usar o slogan de Johnson — vai acontecer.

Além disso, o resultado final, a ampla maioria conservadora, pode influenciar a capacidade do primeiro-ministro de implementar reformas.

Ele vai enfrentar oponentes diferentes — isso é claro.

A saída de Jeremy Corbyn da liderança do Partido Trabalhista é certa, falta apenas decidir quando isso vai acontecer, mas o rumo que o partido vai tomar já é alvo de uma amarga disputa. A perda é uma mistura da falta de liderança e da tortura em relação ao Brexit.

Mas explicar a derrota e planejar a mudança provavelmente envolverá meses de recriminação.

Os liberais democratas também saíram frustrados — a própria líder do partido, Jo Swinson, pedeu seu assento no Parlamento, assim como Nigel Dodds, vice-líder do Partido Unionista Democrático (DUP, na sigla em inglês). Essa eleição também proporcionou uma grande mudança no elenco político.

Mas não há nada claro sobre o que espera Johnson, mesmo com a ampla maioria que este país não via há anos.

Há grandes diferenças entre a Escócia e Inglaterra, por exemplo, e também entre as gerações políticas.

O povo acaba de conceder a Johnson uma quantidade enorme de poder político.

Dado o que está por vir, é uma moeda de troca que ele vai precisar gastar — e gastar bem.

Resultado da eleição

Os eleitores britânicos foram às urnas na quinta-feira eleger os 650 membros da Câmara dos Comuns, uma das duas Casas do Parlamento.

Com praticamente 100% das urnas apuradas, o placar mostra que os conservadores vêm em primeiro, com 364 cadeiras, seguidos dos trabalhistas com 203, do Partido Nacional Escocês (SNP) com 48 e dos liberais-democratas com 11. O Partido do Brexit, esvaziado na estratégia de apoiar Johnson, acabou sem ter conseguido um assento sequer.

Neste cenário, os conservadores terão sua mais ampla maioria no Parlamento desde a vitória da primeira-ministra Margaret Thatcher em 1987.

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