‘Não necessariamente toda agenda do governo é prioridade na Câmara’, diz Rodrigo Maia em Londres

‘Não necessariamente toda agenda do governo é prioridade na Câmara’, diz Rodrigo Maia em Londres

O presidente da Câmara, Rodrigo MaiaDireito de imagem
Marcelo Camargo/Agência Brasil

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‘Talvez a gente esteja prejudicando a imagem do Brasil de forma desnecessária’, disse Maia sobre a repercussão da política ambiental do governo no exterior

No dia em que a votação da reforma da Previdência foi concluída no Congresso, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que não necessariamente todas as agendas do governo são prioritárias na Câmara.

“Não necessariamente toda agenda do governo é a agenda que tem prioridade na Câmara dos Deputados”, afirmou Maia em evento na Embaixada do Brasil em Londres nesta quarta-feira (23).

Ele destacou que o governo tem uma “minoria clara” de 35 deputados entre os 513 parlamentares da Casa, em referência ao número de deputados do PSL ainda fiéis ao Palácio do Planalto — o partido vive uma feroz disputa interna.

Considerado por muitos analistas como fundamental na tramitação da reforma da Previdência enviada pelo governo de Jair Bolsonaro, Maia mostrou apoio à pauta econômica, mas se distanciou em relação ao meio ambiente e à “agenda de valores”.

“Temos convergência com o governo na agenda econômica, na agenda de reformas do Estado brasileiro. Os outros temas, agenda de valores — como o presidente coloca —, agenda de meio ambiente e agronegócio, é uma agenda de diálogo.”

A um público composto por acadêmicos, representantes do governo britânico e do setor privado, Maia procurou vender a ideia de que “meio ambiente e o agronegócio são dois temas fundamentais para o nosso país”.

“O nosso agronegócio não vai crescer se o país, principalmente o governo brasileiro, não compreender que o nosso meio ambiente é um ativo fundamental, é o que garante o futuro do nosso país.”

Recentemente, a política ambiental de Bolsonaro foi destaque nas manchetes globais devido a polêmicos embates com governos europeus e à ampla repercussão do aumento de focos de incêndio na Amazônia.

“O país precisa ter a clareza que uma narrativa mal colocada pode jogar fora muito que o Brasil fez e construiu na sua preservação”, disse Maia.

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REUTERS/Adriano Machado

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O senador Flávio Bolsonaro, o ministro Paulo Guedes (na foto, os dois à esquerda e em pé) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (sentado, ao centro), entre outros, comemoram aprovação de texto-base no Senado

Maia disse que “talvez a gente esteja prejudicando a imagem do Brasil de forma desnecessária” e defendeu que não há projetos de lei contra o meio ambiente tramitando.

“Eu acho que o próprio presidente, nas últimas semanas, se deu conta de que o que ele estava querendo dizer estava sendo interpretado de outra forma aqui fora e isso estava gerando impacto muito grande. Esse tema do meio ambiente iria atrapalhar tramitação do acordo Mercosul-UE.”

O presidente da Câmara também disse que o fato de o governo não ter uma base sólida e uma relação próxima com o Congresso tem “fortalecido a posição do Parlamento” e “aumentado a responsabilidade” dos deputados e senadores.

“Com uma relação de bom diálogo, mas mais distante, talvez isso tenha gerado no Parlamento condições para aprovar a (reforma da) Previdência e certamente as condições para que a gente possa aprovar as próximas matérias que considero decisivas para que o país possa voltar a crescer e gerar emprego.”

Crise no PSL e Eduardo Bolsonaro

Em entrevista a jornalistas, Rodrigo Maia negou que a crise no PSL, partido do presidente, vá afetar a tramitação de projetos na Casa.

“Eu não acho que uma briga interna de partido possa afetar o país”, afirmou. “Os deputados têm seus eleitores. (…) Não adianta o político ficar olhando pra dentro, brigando dentro do seu partido e esquecendo que há uma demanda enorme de milhões de brasileiros por muita coisa, de serviço público, de vaga no mercado de trabalho.”

Questionado sobre a desistência do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) de ser nomeado embaixador nos Estados Unidos pelo pai, Rodrigo Maia disse que se trata de uma decisão pessoal, mas que é mais “convergente” com desejo dos eleitores o filho do presidente continuar na Câmara.

“É uma decisão do presidente indicar o filho. Certamente tinha bônus, mas certamente tinha muitos ônus. Ele teve um resultado eleitoral enorme, com milhões de votos. Para o eleitor dele, ele ficar na Câmara, liderar o PSL e a base do governo, talvez seja mais convergente com aqueles que votaram nele.”

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