BC mantém taxa Selic em 2% ao ano, interrompendo sequência de cortes

BC mantém taxa Selic em 2% ao ano, interrompendo sequência de cortes

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu nesta quarta-feira (16) manter a taxa básica de juros (Selic) no patamar de 2% ao ano, confirmando as previsões da maior parte do mercado financeiro. Com isso, o órgão interrompe um ciclo de nove cortes seguidos iniciado em julho do ano passado.

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Selic
Variação da taxa básica de juros desde julho de 2016

No comunicado, o Copom voltou a destacar que segue monitorando os impactos da pandemia do novo coronavírus sobre a economia. O comitê afirmou que os dados apontam para uma recuperação, mas incertezas sobre o ritmo dessa retomada continuam “acima do usual”.

O documento ainda aponta que os riscos previstos para a inflação não têm direção definida – ou seja, o BC vê tanto fatores que podem acelerar a alta de preços quanto reduzir. Por um lado, cita a ociosidade concentrada no setor de serviços, o que poderia levar a inflação para um nível abaixo do esperado. Por outro lado, segundo o Copom, as políticas de estímulo adotadas em resposta à pandemia podem piorar a situação fiscal.

A Selic está neste patamar desde o dia 5 de agosto, quando o Copom reduziu a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, passando de 2,25% para 2% ao ano, o menor nível desde 1999, quando o governo estabeleceu um regime de metas para a inflação. A decisão foi unânime. Com isso, a rentabilidade das aplicações financeiras de renda fixa mudou.

A manutenção da Selic acontece em um momento no qual a economia brasileira tenta se recuperar da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. Após uma retração recorde de 9,7% do PIB no segundo trimestre, economistas do mercado financeiro estimam um tombo de 5,11% da atividade em 2020, em decorrência da paralisação de vários setores com as medidas de restrição social.

Com a Selic em 2% ao ano, o retorno da poupança é de 1,4% ao ano (já que ela rende 70% da taxa Selic mais a TR, que está zerada). Considerando a inflação projetada pelo último boletim Focus para o final deste ano, de 1,94%, o rendimento real da caderneta fica negativo em 0,53% ao ano.

Política de juros

O Copom se reúne a cada 45 dias para definir a Selic, buscando cumprir a meta de inflação, que é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), órgão formado pelo Banco Central e Ministério da Economia.

A meta central de inflação para 2020 é de 4% (com tolerância entre 2,5% e 5,5%). No caso de 2021, a meta é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (2,25% a 5,25%). E, para 2022, é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (2% a 5%).

Quando a inflação está baixa ou indica que ficará abaixo da meta, o Copom tem espaço para promover cortes na Selic. É uma forma de estimular a queda nos juros cobrados pelos bancos e incentivar o consumo pelo crédito, ajudando a colocar mais dinheiro em circulação na economia.

Decisão do Fed

Hoje, na “Super Quarta”, também foi dia de decisão sobre a política monetária dos Estados Unidos. O BC norte-americano (Federal Reserve) decidiu manter a taxa de juros no patamar, no intervalo entre zero e 0,25% e fez projeções para a economia.

Recentemente, o Fed sinalizou ao mercado que deve adotar uma postura mais tolerante com a inflação dos EUA, permitindo que ela ultrapasse o limite de 2% ao ano quando estiver abaixo da meta por muito tempo. Com isso, o órgão passará a perseguir uma “média” no regime de metas. O objetivo é incentivar a atividade, enquanto o país tenta sair de sua pior recessão em décadas.

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