Recuperação em V está perdendo um pouco do ímpeto, diz presidente do BC

Recuperação em V está perdendo um pouco do ímpeto, diz presidente do BC

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, avaliou nesta terça-feira (15) que a recuperação econômica em formato de V do Brasil está perdendo um pouco do ímpeto, e que investir em vacinas parece ser mais barato do que prolongar programas de transferência de renda.

“Tivemos o que foi o início de uma recuperação em V, está perdendo um pouco do ímpeto agora”, afirmou ele em inglês, ao participar de evento promovido pela Eurasia Group.

Segundo Campos Neto, esse quadro já era de certa forma antevisto pelo BC. Ele frisou que, quando o BC começou a falar a respeito, o mercado ainda era muito cético sobre a recuperação do país e que hoje as perspectivas dos agentes já são de uma contração menor do PIB para este ano, algo entre queda de 4% e 4,4%.

De acordo com o presidente do BC, números de “soft data” – medidos a partir de avaliação qualitativa, como índices de confiança – foram afetados nas últimas semanas pelo aumento de casos de covid-19. Mas no geral, o BC ainda vê um formato “muito parecido com o de V” apontado pelos indicadores.

Sobre o primeiro trimestre do ano que vem, ele disse que agora os agentes começam a se perguntar se o aumento recente no casos de coronavírus irá afetar ou não a economia.

Mais cedo nesta manhã, o BC ponderou, em sua ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que a recuperação da economia no Brasil poderá ser mais gradual em função dos desdobramentos da pandemia.

Campos Neto pontuou que o mercado está de olho na estratégia para vacinação, em quem tem a vacina antes e na montagem da logística para imunização da população.

Sobre a volta dos investidores estrangeiros ao país, ele afirmou que já é possível ver esse retorno ao mercado, e destacou que esse movimento tende a continuar desde que o Brasil passe a mensagem certa sobre a situação fiscal.

Nesse sentido, Campos Neto voltou a afirmar que o aumento do prêmio de risco na curva longa de juros está conectado com o quadro fiscal. Ou seja, com a piora das situações das contas públicas, o mercado passa a exigir juros mais altos para emprestar dinheiro a governo.

Se houver abandono do regime fiscal, o prêmio de risco associado ao Brasil irá subir e o BC terá que agir segundo o efeito desse movimento na inflação, afirmou o presidente do BC. Contudo, ele disse considerar esse cenário “altamente improvável”.

Campos Neto avaliou que a situação frágil das contas públicas de certa forma já está precificada e que há benefício da dúvida para habilidade do governo em mudar isso.

Ele também afirmou que, a menos que a âncora fiscal do país seja deixada de lado, o Brasil não está e nem deve entrar em processo de dominância fiscal – em que a política monetária não mais consegue controlar a inflação em função da forte deterioração fiscal.

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