A corrida dos carros elétricos vai nos levar a um futuro inevitável?

A corrida dos carros elétricos vai nos levar a um futuro inevitável?

A velocidade é um signo do futuro. Quase toda obra de ficção que tenta representar os horizontes do progresso imagina nosso futuro da locomoção por meio de carros elétricos e até voadores. Apesar de parecer distante, o desenvolvimento da ciência e da engenharia tem buscado os pressupostos para esse futuro acontecer.

O maior exemplo disso é o avanço do motor elétrico em relação aos motores de combustão quando se fala em eficiência energética. Segundo um estudo do Departamento de Energia dos EUA, carros elétricos convertem cerca de 59% a 62% da energia armazenada nas baterias para mover as rodas, enquanto um veículo convencional movido a gasolina converte apenas entre 17% e 21%.

Isso deve explicar, em parte, os movimentos mais recentes no mercado de veículos elétricos. Acelerando atrás da montadora Tesla de Elon Musk, a Rivian, startup de carros elétricos fundada em 2009, já conta com a Amazon como investidora e comemorou na semana passada uma captação de US$ 2,65 bilhões de um grupo liderado por fundos e contas sob orientação da T. Rowe Price.

A montadora americana Ford anunciou, junto com o prejuízo líquido de US$ 2,8 bilhões no último trimestre de 2020, a duplicação de seus investimentos em veículos elétricos para US$ 22 bilhões até 2025. Ao mesmo tempo, a gigante de tecnologia Apple e a coreana Hyundai também trabalham em um acordo para a produção de um carro elétrico autônomo.

Essa movimentação parece ter o ritmo acompanhado pela mudança na política americana com a eleição de Joe Biden, ao mesmo tempo que do outro lado do mundo, a China segue a ambição de se tornar líder no segmento. De acordo com análise do banco de investimentos Morgan Stanley, a NIO, uma das top 3 chinesas, deve arrecadar US$ 5,2 bilhões em vendas esse ano, dobrando o resultado de 2020.

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Mas aqui no Brasil, todo esse movimento ainda parece imperceptível. Como é o mercado doméstico de veículos elétricos?

Veículos híbridos no Brasil

“No Brasil, a mudança vai demorar para chegar”, afirma Raphael Galante dono da Oikonomia Consultoria Automotiva.

Já é possível, porém, perceber o crescimento nas vendas dos veículos híbridos, que misturam combustão e baterias elétricas. Somando-se aos totalmente elétricos, as vendas dos híbridos bateram recorde no Brasil em 2020, subindo 66,5%. Com isso, passou de 11.858 emplacamentos feitos em 2019 para 19.745 no ano passado, com os modelos da Toyota e Volvo dominando quase 90% do mercado brasileiro no segmento.

“Os carros híbridos são como os telefones celulares de 25 anos atrás”, explica Galante. Segundo sua analogia, a entrada no mercado de um produto de alto valor agregado, como o carro elétrico, fica sempre restrita ao público de alta renda, até que a tecnologia e a infraestrutura avancem para popularizar o produto e democratizar seu acesso.

“Se você pegar a Lexus, marca de luxo da Toyota, quase 99% dos carros vendidos ano passado eram elétricos ou híbridos”, complementa Galante.

Efeitos ambientais dos carros elétricos

Note que até agora as vantagens dos carros elétricos para o meio ambiente não foram citadas. Mas elas são inúmeras: além de não emitir CO2, motores elétricos praticamente não fazem barulho, necessitam de menos peças e manutenção, e aumentam consideravelmente o espaço útil do veículo.

Só que nenhuma dessas vantagens importa tanto quanto a independência de matriz energética. Na retaguarda das regulações do mercado europeu, uma das primeiras medidas de Joe Biden foi colocar os EUA de volta no Acordo de Paris, que estabelece metas para diminuição das emissões de carbono entre as maiores economias globais.

Galante enxerga algo por trás desse movimento de aparente preocupação com o clima. “É preciso depender menos do petróleo e, no caso dos EUA, do Oriente Médio. Com uma frota elétrica, é possível abastecê-la com uma matriz energética eólica, solar, nuclear.”

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